Veja o que as reclamações oficiais dizem da sua operadora de celular.
Cinco operadoras, agosto e setembro de 2026, direto do consumidor.gov.br, mais o ranking do Procon-SP de 2025. A gente não dá nota: só mostra e explica.
19.377 reclamações de celular no período
3 de 3 problemas mais comuns nas grandes são cobrança
55,1% a 65,4% das reclamações terminam sem avaliação
Os comprovantes, em ordem alfabética
Algar52
reclamações de celular no consumidor.gov.br, agosto e setembro de 2026
* Resolvidas: entre as reclamações que o consumidor voltou para avaliar, a parte que ele marcou como resolvida. Procon-SP: posição entre as empresas mais reclamadas do estado em 2025 e parte atendida, contando o grupo inteiro da empresa.
Preparado com carinho pela Equipe ComparaEmpresas · dados lidos em 16/10/2026
Operadora de celular: o que dizem as reclamações oficiais
Este painel não dá nota a ninguém. Ele pega o que a própria pessoa registrou no consumidor.gov.br (o site do governo federal onde o consumidor reclama direto com a empresa) e o que o Procon-SP publicou no balanço de 2025. A gente só organiza, mostra a data e explica como ler.
E explicar como ler é a parte que mais importa. Um número solto de reclamação parece dizer muito e diz pouco. Abaixo, cada trecho responde uma dúvida diferente, na ordem em que uma reclamação anda: da conta que veio errada até o Procon.
Como ler cada comprovante
Cada operadora aparece num comprovante, como aqueles que a maquininha imprime. Linha por linha, ele diz:
o número ao lado do nome: quantas reclamações foram finalizadas no consumidor.gov.br em agosto e setembro de 2026, só nos assuntos de celular;
respondidas: a parte que a empresa respondeu dentro do processo;
resolvidas: entre as que o consumidor voltou para avaliar, a parte que ele marcou como resolvida;
sem avaliação: a parte em que o consumidor não voltou para avaliar;
nota, de 1 a 5: a média das notas de 1 a 5 que o consumidor deu;
resposta média: quantos dias, em média, a empresa levou para responder;
Procon-SP 2025: a posição no ranking estadual e a parte atendida, quando a empresa aparece entre as 50.
Quando há menos de 100 reclamações avaliadas, o comprovante leva um carimbo de amostra pequena. A tabela logo abaixo dos comprovantes junta tudo num lugar só, e você pode reordenar por qualquer coluna.
Por que a operadora com mais reclamação não é, por isso, a pior
A Vivo aparece com 8.199 reclamações sobre celular em agosto e setembro de 2026. A Algar, com 52. Olhando assim, parece que uma é um desastre e a outra, um paraíso. Não é tão simples.
Operadora grande tem mais linha ativa, mais conta emitida e mais gente que pode ter um problema. Mais cliente gera mais reclamação, mesmo que a empresa trate cada caso do mesmo jeito que a pequena. A base do consumidor.gov.br não traz o número de clientes de cada uma, então a gente não divide uma coisa pela outra. Fazer essa conta com um número tirado de outro lugar seria inventar precisão.
Por isso o painel dá mais peso ao que acontece depois que a reclamação entra: se a empresa respondeu, se a pessoa disse que resolveu, quanto tempo levou e que nota deu. Esses números são porcentagens e médias, e servem para comparar empresa grande com empresa pequena. Com uma ressalva, que vem mais abaixo: quando a amostra é pequena, a porcentagem balança muito.
Respondeu não quer dizer resolveu
Quase todas as reclamações de celular foram respondidas. Vivo, Claro, Brisanet e Algar responderam 100%; a TIM, 99,2%. Se o painel parasse aqui, as cinco pareceriam iguais.
A diferença aparece no passo seguinte. No consumidor.gov.br, depois da resposta da empresa, a pessoa pode voltar e marcar se o problema foi resolvido ou não, e dar uma nota de 1 a 5. Os termos de uso do site dão até 20 dias para isso.
Entre as reclamações que receberam essa avaliação, a parte marcada como resolvida ficou assim:
Claro: 77,9%
Vivo: 69,9%
TIM: 67,2%
Brisanet: 50%
Algar: 42,9%
A nota que o consumidor deu, na média, seguiu a mesma ordem: 3,65 na Claro, 3,54 na Vivo, 3,37 na TIM, 2,43 na Brisanet e 2,14 na Algar. Repare que mesmo a maior nota fica longe do 5. Ninguém sai dessa história "encantado".
Mais da metade das pessoas não volta para avaliar
Aqui está o detalhe que quase ninguém conta. Em todas as cinco operadoras, a maior parte das reclamações terminou sem avaliação do consumidor: de 55,1% na Vivo a 65,4% na Brisanet.
Por que isso pesa? Porque o "resolvido" e a nota vêm só de quem voltou. Quem teve o problema resolvido rápido às vezes nem lembra de avaliar. Quem continua irritado às vezes também desiste. A base não diz qual dos dois grupos some mais, então a gente não arrisca. Leia a porcentagem de resolvidas como "entre quem avaliou", e não como "entre todo mundo".
O que mais se reclama: a conta
Se você está aqui por causa de uma cobrança estranha, saiba que não está sozinho. Nas três maiores operadoras, os três problemas mais registrados são de cobrança, e são os mesmos três:
cobrança por serviço que a pessoa diz não ter contratado (os famosos "serviços de valor adicionado" entram aqui, junto com pacote que apareceu do nada);
cobrança considerada indevida para mudar de plano ou cancelar;
cobrança que continuou depois do cancelamento.
Na Vivo, o primeiro desses itens sozinho foi 13,2% das reclamações de celular. Na TIM, a cobrança para alterar ou cancelar foi o primeiro, com 13,1%. Na Claro, de novo o serviço não contratado, com 12,1%.
Nas menores, a lista muda um pouco. Na Brisanet, entra em segundo lugar a reclamação sobre o próprio SAC (demanda não resolvida ou respondida fora do prazo). Na Algar, aparece a oferta que não foi cumprida. Com poucas dezenas de casos, cada um desses itens tem de 5 a 15 reclamações, então vale como pista, não como retrato.
Pós-pago, pré-pago ou internet móvel: onde a reclamação cai
Nem toda reclamação de celular é igual. O consumidor.gov.br separa por assunto, e a divisão muda bastante de uma operadora para outra.
Na TIM, 53% das reclamações de celular foram de pós-pago. Na Claro, 48,7%. Na Vivo, 45,3%. É no pós-pago que mora a fatura mensal, e é na fatura que aparece o serviço que ninguém pediu.
O pré-pago pesa menos nas grandes: 22,3% na Vivo, 20,2% na TIM e 17,4% na Claro. Na Algar, chega a 30,8%. Já a internet móvel (o pacote de dados, separado da linha) é o assunto mais registrado da Brisanet, com 46 das 81 reclamações. Na Brisanet, o pré-pago quase não aparece: foram 2 casos em dois meses.
Isso ajuda a ler o resto. Se você é cliente de pré-pago, o número geral da operadora fala mais de quem tem conta mensal do que de você. Na ficha de cada operadora, a divisão por assunto aparece completa.
Quanto tempo a empresa leva para responder
O consumidor.gov.br dá 10 dias para a empresa responder. As cinco ficaram abaixo disso, em média:
Brisanet: 6,4 dias
Algar: 7,2 dias
Claro: 7,8 dias
Vivo: 8,2 dias
TIM: 8,3 dias
A diferença entre a mais rápida e a mais lenta é de uns dois dias. Na prática, conte com pouco mais de uma semana. Se a sua conta vence antes disso, guarde o número do protocolo e não deixe a fatura atrasar por causa da reclamação (o débito em aberto vira outro problema).
O que o Procon-SP mostra
O Procon-SP publica todo ano o Cadastro de Reclamações Fundamentadas. É outra régua: entram ali só as reclamações que passaram pelo Procon em São Paulo e foram consideradas fundamentadas, e o ranking junta o grupo inteiro da empresa (celular, internet de casa, TV e telefone fixo no mesmo número).
No balanço de 2025, publicado em março de 2026:
Vivo / Telefônica ficou em 8º lugar entre as empresas mais reclamadas do estado, com 3.759 reclamações e 54,5% atendidas;
o grupo Claro / NET / Embratel / Nextel ficou em 9º, com 3.695 reclamações e 48,1% atendidas;
a TIM ficou em 32º, com 1.316 reclamações e 60,4% atendidas.
"Atendida", na linguagem do Procon, quer dizer que a empresa resolveu o pedido do consumidor naquele processo. Brisanet e Algar não aparecem entre as 50 mais reclamadas. Isso só diz que tiveram menos de 865 reclamações fundamentadas no estado (o número da 50ª colocada). A Brisanet atua mais no Nordeste e a Algar tem área própria, então São Paulo é um pedaço pequeno do mapa delas.
Repare que as duas réguas não batem uma com a outra, e não precisam bater. No consumidor.gov.br, a Claro tem a maior parte de casos marcados como resolvidos entre as três grandes; no Procon-SP, o grupo Claro tem a menor porcentagem de atendidas entre as três. São públicos, estados, serviços e anos diferentes. Por isso o painel mostra as duas lado a lado, cada uma com a sua data, e não mistura numa conta só.
Brisanet e Algar: poucos casos, porcentagem nervosa
A Brisanet teve 81 reclamações de celular no período, com 28 avaliadas. A Algar, 52, com 21 avaliadas. Com tão pouco caso, uma única avaliação a mais ou a menos muda o resultado em 3 a 5 pontos. É por isso que essas duas aparecem com o carimbo de amostra pequena no painel.
Não dá para dizer que elas resolvem menos. Dá para dizer que, nesses dois meses, entre as poucas pessoas que avaliaram, a parte que marcou "resolvido" foi menor. Quando a base de mais meses entrar no painel, esse número vai ficar mais firme.
Antes de reclamar: o caminho que funciona
Um dado chama atenção: de 80,8% (Algar) a 97,5% (Brisanet) das pessoas disseram que procuraram a empresa antes de ir ao consumidor.gov.br. Ou seja, quase todo mundo chega lá depois de tentar pelo atendimento da própria operadora.
O caminho que os próprios órgãos indicam é este:
reclame primeiro na operadora e anote o protocolo, a data e o nome do atendente;
se não resolver, registre no consumidor.gov.br (a empresa tem 10 dias para responder, e você pode avaliar depois);
se mesmo assim não resolver, procure o Procon da sua cidade.
Meu conselho, ou melhor, o nosso: quando a resposta da empresa chegar, volte e avalie. Resolvido ou não. É essa avaliação que alimenta os números que você acabou de ler, e é ela que separa a operadora que só responde da que resolve.
Se você está pensando em trocar de operadora
Reclamação não é o único critério, e talvez nem seja o primeiro. Sinal no seu bairro, preço do plano e o que vem no pacote pesam mais no dia a dia. Mas o painel ajuda a responder uma pergunta que o anúncio não responde: se der problema, o que costuma acontecer?
Um jeito simples de usar o que está aqui:
olhe a parte resolvida entre as avaliadas e a nota do consumidor, e não o total de reclamações;
veja os três problemas mais comuns da operadora e pergunte se algum deles já aconteceu com você;
confira se a amostra é pequena antes de tirar conclusão;
compare com o Procon-SP sabendo que ele mede outra coisa, em outro ano e só em São Paulo.
Na ficha de cada uma tem o link para a página oficial de planos. A gente não mostra preço, porque preço de plano muda toda semana e não vem de nenhuma das duas fontes.
O que este painel não mostra
Vale dizer com clareza o que ficou de fora, para ninguém ler mais do que está escrito.
O painel não mostra a qualidade do sinal. Quem mede cobertura e velocidade é a Anatel, e esses dados ainda não entraram aqui. Também não mostra o Reclame Aqui: ele é um site privado, sem base aberta para baixar, e a gente só põe na tela o que dá para conferir na origem.
Outras empresas que vendem linha de celular, as menores e as virtuais, ficaram fora desta primeira leva. E são só dois meses de dados. É um retrato recente, não uma média de anos.
De onde vêm os números
Tudo o que está nesta página sai de duas fontes públicas, lidas em 16 de outubro de 2026:
consumidor.gov.br, base de reclamações finalizadas de agosto (publicada em 09/09/2026) e setembro de 2026 (publicada em 06/10/2026). O filtro pega só o segmento de operadoras de telecomunicações e os assuntos de celular: pós-pago, pré-pago e internet móvel. Aparelho celular, internet de casa e TV ficaram de fora.
Procon-SP, Cadastro de Reclamações Fundamentadas, exercício 2025, publicado em 16/03/2026.
A ordem dos comprovantes é alfabética. Nenhuma operadora paga para aparecer, e esta página não tem link pago de nenhuma delas. Os detalhes de cada filtro, os arquivos e o jeito de refazer a conta estão na página Fontes e método.